Devo enfatizar, primeiramente, que nunca escrevi sobre mim mesma, nem sei ao certo como começar a fazê-lo. Embora, na verdade sempre houvesse em mim tal vontade, e até certa curiosidade sobre o que poderia sair diante de mim no papel (o que estou digitando agora foi anteriormente escrito num caderno), nunca o fiz talvez por medo de descobrir coisas a meu respeito que não chegam à luz da consciência de outra maneira. Resolvi deixar o medo de lado e me arriscar nessa viagem incerta e instigante.
Durante muito tempo eu deixei a vida e as circunstâncias me levarem, e até outras pessoas me carregarem nas costas. Que droga de ser humano faz isso? Muitos, infelizmente. Hoje não faço mais parte desse grupo. Escolhi, consciente, o caminho mais difícil. Eu poderia simplesmente ficar sentada onde estou, trabalhar, sustentar e criar a minha filha segundo os valores podres das "pessoas de bem" que me cercam, ir à praça ou porto aos finais de semana, manter a casa impecavelmente limpa e não me importar com o que acontece no resto do mundo. Mas eu quero mais.
Minha maior crítica (minha mãe, que diga-se de passagem, critica qualquer um que é uma beleza, só não tente fazer o mesmo com ela - lógica do déspota hipócrita) sempre disse - para quem quisesse ouvir - que eu não tenho ambição. Realmente, minha mãe, ambição em TER as coisas eu me orgulho de não ter. Minha ambição é muito maior! Eu quero ser rica! Tão rica que não preciso de dinheiro para manter e aumentar a minha fortuna!
O intuito inicial é escrever o que vier à cabeça, sem pensar muito nem medir as palavras. Quero mergulhar nesse mundo que eu abrigo, podendo assim ampliá-lo e sofisticá-lo cada vez mais. Mais do que tapar os buracos da estrada, quero construir pontes. Me sinto pronta para começar a escrever os meus livros, e deixarei registrada toda a trajetória.
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